Teve início esta quarta-feira, 13, no Tribunal Supremo, o julgamento do ex-embaixador de Angola na Etiópia, Arcanjo do Nascimento, acusado de peculato, corrupção passiva e branqueamento de capitais.
No primeiro dia foi realizada a audição do arguido e 16 declarantes para a produção de provas.
O magistrado do Ministério Público, aponta que o ex-embaixador, no interesse de melhorar as condições da missão da Etiópia, decidiu a construção de três edifícios, designadamente chancelaria, residência protocolar e a residência oficial para o embaixador em representação do Estado angolano.
Para tal, adianta, foram dados ao arguido determinados poderes para a contratação da empreiteira, orçada em 21 milhões, 981 mil, 463 dólares norte -americanos.
De seguida, celebrou um contrato de fiscalização da empreitada da chancelaria, em Novembro de 2014, com a empresa Energias Angola Limitada l, no valor de um milhão, 120 mil e 95 dólares americanos e 80 cêntimos.
Arcanjo Maria do Nascimento, ex-embaixador plenipotenciário de Angola, está detido preventivamente desde o mês passado a mando da PGR, que alega que pesam sob o mesmo “fortes indícios de ter cometido os crimes de peculato, corrupção passiva e branqueamento de capitais”, puníveis pelo Código Penal e pela Lei de Branqueamento de Capitais.
A medida de coacção visa salvaguardar o interesse da investigação e instrução do processo crime nº 48/2018, que decorre na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP).
Arcanjo Maria do Nascimento é diplomata de carreira desde 1986, tendo exercido a função na Etiópia entre 2011 e Junho de 2018, altura em que foi exonerado pelo Presidente da República, João Lourenço, por conveniência de serviço. Além deste cargo, foi representante permanente de Angola junto das Nações Unidas e das organizações internacionais em Genebra, Suíça.
JA