João Lourenço já procedeu ao discurso de vitória durante um encontro realizado na sede do partido em Luanda onde fez questão de frisar ter toda a legitimidade para governar o país.
Questionado sobre a perda expressiva da maior praça política, Luanda, para a Unita, JLO minimizou o facto ao ter afirmado que as eleições foram em todo país e que no final o que contou foi o voto de todos os angolanos.
Contudo, dias antes da divulgação final dos resultados era notável o efeito tsunâmico no ego partido dos camaradas, e que até precipitou numa reunião à porta fechada de pouco mais de 3 horas na Ho Chi Min.
Foi notável e não passou despercebida da opinião pública a forma estoica como JLO passou adiante dos indicadores estatísticos negativamente mais expressivos para o MPLA nas eleições gerais de 2022 como a perda da maior praça política que é Luanda, a diferença da percentagem de votos com Unita de 7 pontos percentuais, as derrotas no Zaire e em Cabinda.
E que de facto são os piores resultados desde então no percuros de 5 pleitos eleitotais para o MPLA:
O analista Ismael Mateus disse ter esperado mais do Presidente da República eleito neste quesito visto que estes números expressam uma mensagem, uma vontade que os angolanos estão a passar para o partido dos camaradas. O analista disse mesmo que o MPLA deve despir-se da arrogância e dialogar mais.
Po outro lado, João Lourenço minimizou igualmente a contestação da oposição aos resultados que lhe deram a vitória e recusou qualquer “geringonça” ou acordo com partidos derrotados nas eleições de 24 de agosto.
“Eu posso e devo governar com toda a legitimidade que os eleitores conferiram ao MPLA e o seu candidato. A oposição contesta, mas há instituições adequadas para se fazer esta contestação. Eles que façam”, disse João Lourenço, o Presidente reeleito com maioria absoluta, segundo os resultados anunciados hoje pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).
“A lei prevê essas situações, tem prazos e vamos aguardar o que é que, neste caso, o Tribunal Constitucional, nas suas vestes de tribunal eleitoral, dirá sobre a contestação da oposição”, afirmou o líder do MPLA, num discurso na sede do partido que teve direito a perguntas dos jornalistas.
Questionado pela agência Lusa com a descida dos votos do MPLA e a contestação do principal partido da oposição, João Lourenço minimizou: “Nós temos legitimidade para governar sozinhos, não temos necessidade de fazer nenhuma ‘geringonça’”, numa alusão ao acordo do PS com o PCP e Bloco de Esquerda no passado recente em Portugal.
“As ‘geringonças’ são feitas quando o partido vencedor não tem votos suficientes para governar sozinho. Se me está a falar de uma ‘geringonça’, é melhor esquecer porque não haverá ‘geringonça’”, respondeu João Lourenço.