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Todos os anos o mesmo exercício e, todos os anos, os números contam uma história ligeiramente diferente.
O Fundo Monetário Internacional actualizou em Outubro as suas projecções para 2026 no World Economic Outlook, e a fotografia que resulta, cruzada com os dados mais recentes do Banco Africano de Desenvolvimento e do Banco Mundial, confirma uma tendência que já se vinha desenhando: a Nigéria ultrapassou a Argélia e consolidou-se como a terceira maior economia do continente, a África do Sul continua no topo, e Angola mantém-se firme na sexta posição, com um Produto Interno Bruto nominal projectado em 157,30 mil milhões de dólares.
A tabela, segundo as projecções do FMI para o ano findo, 2026, citadas pela DabaFinance e confirmadas pela LesAfriques, fica assim:
- África do Sul — 489,08 mil milhões USD
- Egipto — 442,89 mil milhões USD
- Nigéria — 386,67 mil milhões USD
- Argélia — 331,89 mil milhões USD
- Marrocos — 195,63 mil milhões USD
- Angola — 157,30 mil milhões USD
- Quénia — 151,15 mil milhões USD
- Gana — 128,64 mil milhões USD
- Etiópia — 127,14 mil milhões USD
- República Democrática do Congo — 122,28 mil milhões USD
Vale notar que estes números não são estáticos. Em Fevereiro, com uma vintage anterior de dados, o FMI projectava a Nigéria em 334 mil milhões e a África do Sul em 443 mil milhões, valores bem mais baixos, revistos em alta sobretudo pela recuperação petrolífera nigeriana e por ajustes cambiais.
Um ranking de PIB nominal é uma fotografia de um momento, não um veredicto definitivo sobre quem é “mais forte”.
A posição de Angola merece um segundo olhar, porque o tamanho absoluto conta só parte da história. Com um PIB per capita de cerca de 3.876 dólares, segundo a LesAfriques, Angola está confortavelmente acima da Nigéria, cuja riqueza per capita caiu para 835 dólares em 2025, segundo dados do FMI citados pela Arbiterz, isto apesar de a economia nigeriana ser quase 2,5 vezes maior em termos absolutos.
A explicação é incómoda para Abuja: mais de 230 milhões de nigerianos dividem aquele bolo. Um PIB grande dividido por muita gente não é, por si, sinónimo de prosperidade.
Onde Angola fica claramente fora do pódio é na corrida do crescimento. O mesmo FMI, no World Economic Outlook de Abril, colocava Etiópia (9,2%), Guiné (8,7%), Uganda (7,5%), Ruanda (7,2%), Benim (7,0%), Líbia e Níger (6,7% cada), Costa do Marfim (6,2%), Djibuti (6,0%) e a própria RDC (5,9%) como as dez economias africanas de crescimento mais rápido em 2026, segundo compilação da Nairametrics.
Angola não aparece nessa lista e as previsões específicas para o país, por mais que tenham vindo a subir ao longo do ano, continuam bem abaixo desses números.
E aqui há uma divergência que vale a pena expor em vez de esconder debaixo do tapete. O Banco Africano de Desenvolvimento, no seu African Economic Outlook, projectava um crescimento moderado de 2,9% para Angola este ano, 2026, e 3,3% em 2027, atribuído sobretudo à subida do preço do petróleo e alerta que o PIB per capita real pode voltar a cair, porque a população cresce mais rápido do que a economia.
O FMI, numa actualização mais recente citada pela Lusa, já revê essa estimativa para 4,4%, depois de ter começado o ano em apenas 2,3%. E o próprio Governo angolano, pela voz do Secretário de Estado das Finanças, Ottoniel dos Santos, admite trabalhar com uma previsão ainda mais optimista, de 5,7%, por considerar que o desempenho não-petrolífero está “muito acima do previsto”.
Essa última parte tem lastro nos números recentes: o PIB cresceu 8,74% no segundo trimestre de 2026 em termos homólogos, com o sector não-petrolífero a acelerar 9,24%, segundo o INE. E o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, afirmou em Outubro, no Fórum Empresarial Angola-Namíbia, que o sector não-petrolífero já representa cerca de 85% do PIB, resultado, disse, de privatizações, da abertura de capital de seis empresas na bolsa e de investimento em infra-estruturas portuárias, eléctricas e de água.
O quadro geral do continente também ajuda a contextualizar. O Banco Mundial reviu em alta, para 4,3%, a sua previsão de crescimento para a África Subsariana em 2026, acima da estimativa anterior de 4,1%, citando maior procura doméstica. Angola, com os seus 2,9% a 4,4% consoante a fonte, cresce portanto a um ritmo inferior à média regional.
A leitura honesta é esta: Angola é, sem dúvida, uma das seis maiores economias de África por tamanho absoluto, e a diversificação não-petrolífera começa a mostrar números que sustentam o discurso oficial. Mas continua a ser uma economia cujo desempenho agregado depende, em boa parte, do preço do petróleo e que ainda não entrou no grupo de países que estão genuinamente a crescer mais rápido do que a média africana. Sexta maior em tamanho não é, por agora, sinónimo de sexta mais dinâmica
CD




